“Eu não estou preocupado com “bons” e “maus” aqui, nem em julgar os personagens. Isto é o que eles fizeram, isto é o que eles disseram. Como eles se conduziram, não é problema meu. O público os verá como quiser, e podem discordar uns dos outros, mas espero que reconheçam algo de verdadeiro.”

A citação acima é do escritor da peça de teatro “Closer”, Patrick Marble, encenada pela primeira vez em 1997, em Londres e já produzida em mais de 100 cidades por todo o mundo, tendo sido traduzida em mais de 30 línguas. Não por acaso, tornou-se um laureado filme homônimo, que concorreu a alguns Oscar por interpretações de seus atores.

É do filme que trato abaixo, partindo do que disse o autor da história: o que seria este algo de verdadeiro que devemos reconhecer?

LADIES AND GENTLEMEN

O filme, a bem da verdade, é a história de uma luta. Não entre machos pelo amor de uma fêmea. Não de duas fêmeas pelo amor de um macho. Mas uma luta do amor pelo amor mesmo. Explico. Temos dois “conceitos” de amor lutando entre si para prevalecer:  o “amor romântico” contra o amor que se fundamenta num ato de vontade, numa decisão e consequente compromisso.

No canto direito, vestindo a delicadeza, gentileza e um balde cheio de sentimentos supostamente lindos, temos Dan e Anna, personagens de Jude Law e Julia Roberts. Defendem eles o amor romântico.

No canto esquerdo, vestindo nada mais do que uma firme convicção e uma sonora força de vontade, Larry e Alice, personagens de Clive Owen e Natalie Portman. Defendem eles o amor como um ato de vontade.

1º. ROUND

Como todo amor de casal nasce?

O filme começa com o encontro entre Alice e Dan, aquele típico “amor à primeira vista”, cheio de detalhes bonitinhos que nos enternecem e já nos deixam torcendo pelo casal. Quando depois de cinco minutos acompanhando o nascente romance com tudo aquilo que ele tem de mistério e jogo, sentimento e desejo, Dan confessa que tinha outra mulher, é tarde demais… Já estamos anestesiados de romantismo para enxergar problema maior na traição. E não parece nada demais porque não queremos que seja nada demais. Não diante da boniteza daquele encontro.

Se com você também foi assim ao assistir é porque também é desse time dos românticos. Quem nunca?

Todo romântico é nostálgico desse bailado sentimental, viúvo de paixões à primeira vista, de momentos como esse de Dan e Alice. Não é assim quando nos apaixonamos? É por isso que torcemos tanto para que dê certo quando vemos isso retratado nos filmes, seriados etc. Queremos romance, queremos que o casal fique junto não importa como, queremos um amor “de verdade” que nos lembre como deveria ser o nosso ou como, de repente, já vivemos um dia. É a velha história da paixão que quase sempre há em todo início de romance. É a fase do paraíso, onde tudo é lindo, incluindo os defeitos do ser amado.

Mas a forma como Anna e Larry se encontraram não foi nada mágica. Um sujeito que acreditava ter encontrado uma mulher num “chat erótico” de internet e arrisca conhecê-la: eis como Larry nos é apresentado. Como simpatizar com um coitado desses, senão por pena? Ainda mais quando, ao avistar uma mulher no lugar combinado, sequer tem o cuidado de confirmar se era com quem conversou, chegando nela falando as mesmas bobagens do chat. Mas não era a mesma pessoa. Nesse momento as definições de vergonha alheia são atualizadas.

Mas e a moça, o que fez diante do ridículo ao seu lado? Vamos e venhamos, quem dá trela a um sujeito desses deve ter algo de errado. Pois Anna deu, ou seja, se Larry encarna o cúmulo da coitadice, Anna parece representar o cúmulo da tontice. Mas eles seguem conversando e em conversando vão nos parecendo menos imbecis. Do lado de fora do aquário – onde se encontraram – até simpatizamos com o novo casal, cujo primeiro encontro, se não foi “perfeito” como o de Alice e Dan, ao menos teve seu encanto pela delicadeza do presente de aniversário dele para ela – era aniversário dela naquele dia.

O primeiro encontro é de importância capital para os defensores do “amor romântico”, pois é pela paixão inicial que medirão todo o relacionamento (ou você nunca escutou um: “você já não me ama como antes”). Para tanto, é claro, o amor fica dependente do sentimento para todo sempre. Pelo lado contrário, para o amor como ato de vontade, não há essa dependência do sentimento, ainda que todo amor nasça dele – pois sem sentimento o desejo não desperta e a vontade de amar não se cria -, pois será embasado em algo mais consistente. No quê? Mais adiante veremos. Por enquanto, neste primeiro round, o amor romântico ganhou, pois o sentimento é rei quando o amor nasce.

2º. ROUND

Quanto tempo dura uma paixão?

Como diria o Didi: vareia. Mas ainda que dure muito, sempre acaba quando surge uma nova paixão. Isso já estava claro no encontro de Dan e Alice. Seja lá o que sentisse por sua mulher, ele nem pensou duas vezes em trocá-la pela paixão que nascia naquele instante por Alice. Logo, não demorou e chegou sua vez de Alice ser traída pela mesmíssima razão: uma nova paixão, agora por Anna.

Dan se apaixonou por Anna no instante em que a conheceu – quando da sessão de fotos para seu livro -, no que foi correspondido. Mas ao descobrir que ele tinha mulher, parou na hora. Quando Alice chega, percebeu na hora que Dan se encantou com Anna e que algo acontecera entre eles. Ela desmascara Anna, pedindo que ela tirasse uma foto sua triste, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Porque ela sabia que iria perder Dan: ela conhecia o homem que (não) tinha.

Muito tempo depois, quando Dan terminava o relacionamento com Alice para ficar com Anna, confessou que estava já com esta há algum tempo, justificando-se dizendo estar apaixonado. Na mentalidade romântica é assim que funciona: estar apaixonado justificaria tudo, implicaria uma inevitabilidade do destino, que nada se poderia fazer contra os “caprichos do coração”. Mas Alice respondeu com firmeza, dando voz a outro “tipo” de amor:

“Ah, como se isso não fosse uma escolha. Como se não tivesse um momento, sempre tem um momento. Eu posso fazer isto. Posso ceder ou resistir. Eu não sei quando foi seu momento, mas aposto que houve um.”

Eis em toda plenitude a grande diferença entre o amor romântico e o amor como ato de vontade. Todo amor nasce de um sentimento, mas não se fundamenta nele. Só com sentimento, todo amor é “de lua”. Não é à toa que o símbolo natural do sentimento seja justamente a lua, por se modificar constantemente. Em todo relacionamento haverá sempre momentos em que o sentimento será oposto ao da paixão, onde poderá até existir ódio, ressentimento, muita frustração. Nessas horas, se o amor é paixão, então, acabou. É evidente que, se fosse assim, nenhum relacionamento duraria muito tempo e tudo que poderemos ter é uma coleção de parceiros e de paixonites agudas sempre terminando mal ou em outras paixonites agudas por outras pessoas e com muita gente sofrendo pelo meio do caminho.

O fundamento do amor tem de ser num ato de vontade, ou seja, numa escolha, uma decisão. No final do filme, quando chega o momento de Alice decidir se continua amando Dan ou não, ela decide que não mais, mesmo com todo mundo sabendo perfeitamente que ela ainda estava apaixonada por ele. Ou seja, se Alice começou se deixando levar pelo sentimento e fechando os olhos para quem era Dan, não demorou para se colocar do lado do amor enquanto tal, dali não saindo mais, agindo de modo coerente com quem sabe que amar é uma decisão, um ato de vontade, independente de paixões ou ódios.

Chegamos ao fim do segundo round e eu diria que o amor romântico perdeu a confiança, estando fragilizado

3º. ROUND

E quando amar é sofrer?

Uma das coisas mais comentadas do filme é o “sincerismo” dos seus personagens. Que eles falam a “verdade”. Mas há uma diferença considerável na forma como os personagens se relacionam com a “verdade”.

Quando Larry retornou de uma viagem e contou a Anna que a traiu transando com uma prostituta ela lhe perguntou por que contou. Larry respondeu que a amava e que por isso não poderia mentir, preferindo correr o risco do término. Ou seja, quando o amor se fundamenta não apenas no sentimento, então é porque se sustenta em algum valor superior inclusive ao próprio relacionamento e que é o que faz ele ter sentido e valor, como a verdade.

Mais fácil entender isso pelo contraste com a relação do amor romântico com a verdade. Quando a paixão, o sentimento, é o que fundamenta o amor, então dizer a verdade pode doer nesses casos como os do filme. E doer muito. Ou seja, nesse caso, mentir seria ser “fiel” ao amor para não “machucar” o sentimento do outro. Por isso, quando Anna contou a Dan que tinha transado com Larry para poder obter o divórcio, Dan lhe contraditou: “Por que não mentiu para mim? (…) O que tem de tão fabuloso na verdade? Tente mentir pra variar. Este é o costume normal no mundo.”

Quem é que lidou melhor com a verdade aí: o “amor romântico” ou o “amor como ato de vontade”? Nem preciso responder. Mas é pior do que isso, no caso do romântico, porque Dan agiu de outra forma quando foi terminar com Alice. Ele sabia que a verdade iria doer e chegou a dizer isso, mas como não era ele quem sofreria, “preferiu” a verdade, para dar verniz de bem agir a quem não agiu bem de modo algum. Como diria o capitão Nascimento: você é moleque, Dan, moleque!

Todo romântico é imaturo, infantil mesmo. Dan não conseguia lidar com a verdade de Anna e se obrigou a terminar tudo, dizendo-lhe: “você já não é mais inocente”. Hein? Inocente do que, menino, se o próprio relacionamento de vocês começou assim, com uma traição? Repare que ao usar esse termo “inocência”, Dan não deixava espaço para o perdão, que é o que Anna lhe implorava:  “Se você realmente me amar, você vai me perdoar”. Mas o perdão também é um ato legítimo e sincero de vontade, logo, Dan não fazia a menor idéia do que ela estava lhe pedindo. Mas ele percebeu que ela queria “mudar as regras do jogo” entre eles. E perguntou: “Você está me testando?” Estava mesmo. Anna sabia que o sentimento era insuficiente para amar, ela sentia a necessidade de um fundamento melhor para seu sentimento.

A imaturidade romântica reside, no fim das contas, em lidar com a dor, o sofrimento inevitável. Quando o pai de Dan morreu, Alice implorou para ir com ele, mas ele não deixou, justificando-se que queria ficar sozinho para sofrer melhor. Ora, não dividir sofrimento é não dividir sua vida, sua intimidade, é não permitir que o outro o ame. Por isso Alice lhe perguntava por que ele não a deixava amá-lo. Ele só conseguia responder “basta”, porque entrar nessa discussão seria se desmascarar por completo a seus próprios olhos.

O único momento em que o amor romântico adora sofrimento é quando termina o relacionamento. Aí a dor tem de ser elevada à enésima potência e assim se possa construir uma mentira ainda maior, tornando o(a) ex mais especial do que jamais fôra, ou a história mais significativa depois que terminou do que durante. Haja música triste e cafona nessa hora.

Fim do round. O “amor romântico” já não sabe nem em qual canto do ringue está seu banquinho, mas como sou sádico, não encerrarei o combate ainda.

4º ROUND

Hora do embate final: Dan x Larry.

Dan, não conseguindo se desapaixonar de Anna, muito menos sabendo onde encontrar Alice para afogar suas dores românticas, não viu alternativa senão procurar Larry. Foi ao seu consultório e pediu (reparem bem, pediu…) para ter Anna de volta. Larry disse que ela fez sua escolha: “Mas todavia, ela me escolheu e devemos respeitar a decisão de uma mulher”.

Contudo, cabe a pergunta: se é para respeitar a decisão, por que Larry não respeitou a decisão de Anna antes, quando ela escolheu Dan? Porque sabia que ela não tinha se decidido, era uma paixão. Aquele diálogo violento em que ele a força a descrever em minúcias seus atos sexuais com Dan é verdadeiramente cruel, mas tinha um propósito: ele precisava saber se Anna estava apenas apaixonada ou não, se ela realmente preferia Dan a ele. Quando ela lhe respondeu dizendo que ambos eram iguais, mas que Dan era mais gentil, ele encerrou a tortura na hora e agradeceu sua honestidade. A partir dali sabia que era só um sentimento dela para com ele. Ou seja, a decisão de Anna ainda estava em aberto e Larry entraria na guerra com tudo que tinha direito e sabendo perfeitamente o que queria e como conquistaria. Por isso, quando exigiu uma última transa com Anna para assinar o divórcio, sabia o efeito que isto iria causar no incurável romântico Dan. E acertou.

Mas Dan implorou: “Se você a ama, deixe-a ir embora, para que ela seja feliz”. O típico romântico que implora que o seu sentimento seja respeitado, não o dos outros, muito menos a vontade das pessoas. Mas Larry conhecia muito bem Anna e sabia que ela não queria ser feliz. Numa explicação perfeita ele disse: “Depressivos não querem (ser feliz). Querem ser depressivos para confirmar que são infelizes. Se fossem felizes, não poderiam ser mais depressivos, e teriam que entrar de sola no mundo, e isso é deprimente”.

Dan então começou a apelar: “ela voltou para você porque não suporta vê-lo sofrer. Você não sabe quem ela é. Você a ama como um cachorro ama seu dono”. Larry respondeu: “E o dono ama o cachorro por fazer isto”. Dan foi perdendo seus argumentos em defesa do seu amor ideal, um a um, até restar aquele que aplicaria a si: “Você não a ama, você nunca a perdoou”. Larry respondeu: “Claro que a perdoei, sem o perdão nós somos selvagens.”

Larry percebia que Dan estava desmoronando, mas Dan se ridiculariza cada vez mais. Poucas cenas do cinema são tão constrangedoras como esta conversa entre os dois. Mas é profilática. A humilhação de Dan não é só a humilhação de um homem, é a humilhação de um erro coletivo, de gerações e gerações que desperdiçaram o verdadeiro sentido do amor nessa patacoada de “amor romântico”.

Quando Dan disse a Larry: “Você a conheceu por minha causa”, a sensação é que voltamos aos tempos de colégio. Larry simplesmente agradeceu e Dan se tornou ainda mais infantil: “Seu casamento é uma piada”. Mal sabia que a piada era ele. Larry respondeu: “É uma piada das boas. Ela não mandou os papéis do divórcio a um advogado“. A partir dali Dan teria de jogar no terreno de Larry, teria de admitir que um ato de vontade de Anna entrou em jogo, independente do que ela sentia. É a hora do golpe final, e Larry provocou: “Para um enorme herói romântico como você, eu não duvido que eu pareça uma pessoa banal“.

Exatamente! Para quem acredita que o amor é um sentimento, uma paixão “perfeita”, a “visão” de Larry parece banal mesmo, ridícula, desprovida de sentido. Para quem ainda insista nisso, reconhecer que Larry representa o verdadeiro sentido do amor no filme é muito doído porque fica parecendo que o amor é algo contrário ao sentimento, à paixão, que o homem deveria ser “dono” da mulher, que a possessividade evidente de Larry parece ter fundamento. Não é nada disso, mas é o que parece e é muito difícil de aceitar. Para heróis românticos, Larry é um grosseirão que não entende nada do amor e de mulher. É um machista tarado e possessivo que obriga a mulher a ficar consigo. Por isso, quando Dan explodiu dizendo: “Você é um animal!”, aposto muitos vibraram com ele.

Mas Larry não se abalaou: “Ah, é, e o que é você ?”. Dan respondeu: “Você acha que o amor é simples, que o coração é como um diagrama“. Dan tentava explicar que o coração é símbolo do amor romântico, da paixão desmesurada pela musa eterna e perfeita aos olhos do amado, mas Larry não deixou a luta fugir do seu campo: “Você já viu um coração? é como um punho cheio de sangue. Vá se foder, seu escritor. Seu mentiroso!” O amor de Dan é uma mentira mesmo e cair nesse jogo “poético” é pedir para se engabelar em palavras doces, mas vazias (como aliás, Alice dirá para Dan no final, exatamente para mostrar que o amor não pode estar apenas nisso).

Dan ainda vai apelar para sua suposta superioridade sentimental, sua sensibilidade e gentileza, dizendo que Ana odiaria as mãos de Larry, do jeitão simplório dele. E então Larry deu o golpe fatal: contou que Anna lhe contou tudo, sobre como ele transava de olhos fechados e como às vezes acordava de noite chorando pedindo pela mãe. A humilhação é completa. Não só por Larry, mas principalmente por Anna. Aqui Dan não tinha mais como negar que Anna, apesar de apaixonada, não o queria mais, tomara realmente uma decisão. Do contrário, jamais teria exposto o amado aos olhos do adversário. Veio, então, o golpe de misericórdia, com Larry dizendo: “Você não entende nada sobre o amor, porque você não entende de compromisso”.

Nocaute. O amor romântico não levanta mais. É o fim da luta.

DEPOIS DA LUTA

Mas não o fim do ridículo. Dan começou a chorar e Larry o aconselhou: que voltasse para Alice. O amor romântico ainda teve tempo para se humilhar um pouco mais, saindo do consultório com uma receita para se curar e agradecendo a gentileza de Larry, como se não tivesse sido por este humilhado. Nem a dignidade restou aqui.

Dan tentou mesmo reatar com Alice, mas a perdeu de vez quando insistiu no seu romantismo. Ele desconfiava que Alice tinha ficado com Larry também e aí ela não seria mais “inocente”, como Anna. Ela a forçou até descobrir a verdade, o que fez Alice perceber que ele jamais mudaria. Então, o sensível herói romântico foi o único personagem  capaz de agredir fisicamente uma mulher. Que romântico, não?

O filme não tem final feliz. O amor como ato de vontade é o vencedor, mas não parecendo ter muitos motivos para comemorar, com seus dois representantes não terminando tão bem assim: Alice não conseguiu vencer a fraqueza de Dan e só lhe restou desistir do seu amor, já Larry não terminou o filme com o final feliz que imagina ao lado de Anna, afinal, aquele olhar perdido dela na cama…

Enfim, quando terminamos de assistir o filme ficamos com uma sensação de que só há mortos e feridos, ninguém se salvando. Com isso, o filme termina sendo um retrato realista dos relacionamentos amorosos atuais. Afinal, quantas pessoas conhecidas suas, ou você mesmo, não andam como nômades à procura de um “grande amor”, pulando de relacionamento em relacionamento? Quantos relacionamentos não são formados de inícios “maravilhosos” e fins abruptos diante da menor dificuldade, durando muito pouco?

No fim das contas, é tudo uma grande mentira. Como Alice disse, quando na exposição de fotos de Anna, respondendo a Larry o que ela achava daquela arte exposta:

“É uma mentira. Um monte de estranhos tristes fotografados de modo lindo, e todos os cuzões brilhantes que dizem que apreciam arte dizem que é bonito porque é o que querem ver. Mas as pessoas nas fotos estão tristes e sozinhas. Mas as fotos fazem o mundo parecer bonito, então a exibição é confortadora, o que a torna uma mentira. E todos adoram uma grande mentira.”

O que o filme faz é justamente desmascarar essa mentira, impedindo que essa realidade triste da solidão seja mascarada ou aliviada por mais uma comedinha romântica esquecível. É como um purgante para nosso romantismo e nos deixa com apenas uma certeza: se quisermos saber o que é o amor, precisamos entender de compromisso, não de sentimento. Só aí o amor pode realmente vir a ser o que deve ser e dar ao homem uma transcendência que, sozinho, não alcançará.