“Todo conselheiro dá sua opinião, mas há conselheiros que só têm em vista o próprio interesse. (Eclesiástico 37, 8)” 

Passado mais de ano desde a última grande manifestação e do impeachment de Dilma, o título do artigo me parece a conclusão mais sensata que alguém minimamente entendido do cenário político pode chegar. Ainda bem que o MBL nacional escolheu confiar nas pessoas certas. Já pensaram se Kim, Renan e Holiday, ao invés de seguir os passos de Reinaldo Azevedo, houvessem dado ouvidos aos conselhos de Olavo de Carvalho? Imagino os cenários que surgiriam se essa tragédia tivesse acontecido:

– Talvez tivessem cometido o erro de entregar de bandeja o curso da história à classe política que o 15 de março já havia subjugado;

– Talvez os movimentos civis que conseguiram colocar mais de seis milhões de pessoas nas ruas – seis milhões! -, sem contar as outras dezenas de milhões que não estavam nas manifestações mas que apoiavam a causa, não tivessem enxergado que com toda essa massa na mão bastariam alguns meses de maciça campanha de desobediência civil para, não apenas derrubar o governo petista, mas reduzir a pó TODO o sistema de poder atual;

– Talvez tivessem subestimado as multidões na rua e marchassem, andarilhos, para mendigar um impeachment em Brasília, numa bizarra e brasileiríssima mistura de Faroeste Caboclo com Forest Gump;

– Talvez, após desprezá-la, perdessem a adesão das ruas e com ela seu único poder real contra as elites governantes;

– Talvez tivessem a ilusão de rezar no credo da “pureza das instituições” e vissem TODA a classe dominante entrando em acordo para sufocar as iniciativas de mudança real do cenário político e jurídico;

– Talvez tivessem trocado o protagonismo do acontecer histórico por dois ou três carguinhos de vereador;

– Talvez, só talvez, amargassem agora o destino de minguar até transformarem-se apenas num movimento orbitando em torno do poder do estamento burocrático, como uma varejeira desejosa da porção mais úmida das fezes que rodeia;

Mas fizeram a escolha certa. Além de evitar todo esse cenário, escolher a voz de Reinaldo Azevedo ainda lhes trouxe o gozo de ouvir alguém livre de amarras políticas, sem comprometimento algum com o esquema de poder combatido pelas ruas em 2015/2016, defensor feroz da Lava-Jato, defensor do Juiz Moro, intelectualmente honesto, de uma erudição admirável, esquecido de si e amante da verdade.

Olha, a melhor coisa do mundo foi o MBL não ter ouvido Olavo de Carvalho.

Kim, Renan e Holiday merecem todos os nossos aplausos pelo discernimento. Certamente a história já lhes reserva um lugar – ao lado de Reinaldo Azevedo, claro.

Grandes homens. Grande Visão.