As décadas de dominação ideológica socialista renderam mais do que o empobrecimento cultural e financeiro do Brasil. Renderam também ao país essa “direita” confusa e histérica, que age antes de pensar e quando pensa age pior ainda. Depois de 13 anos de luta contra o PT, essa direita sem partidos e sem grandes lideranças teve que lidar com uma espécie de “crise ideológica”.

Aqueles que estavam unidos contra o governo petista tiveram que se perguntar, após a queda de Dilma, o que afinal de contas havia do outro lado. Ser anti-socialista não bastava, não era forte o suficiente. Restou então buscar respostas na nossa querida internet. E foi por meio da banda larga que milhões conheceram Olavo de Carvalho, Bolsonaro, Instituto Mises Brasil, Kim Kataguiri, Hélio Beltrão, Rodrigo Constantino, MBL, etc.

Por serem anti-socialistas, todos foram incluídos num troço chamado direita, e foi aí que começou a inevitável confusão. Inevitável porque é impossível classificar com um único termo pessoas, instituições e pensamentos tão diferentes. Jair Bolsonaro e Hélio Beltrão são quase opostos, sendo o anti-socialismo a única bandeira de convergência.

Conservadorismo e Liberalismo têm diferenças fundamentais, que não podem ser ignoradas em nome de uma união que apenas combate o lado oposto. Primeiro, porque qualquer movimento político que tenha como único objetivo combater o seu adversário já terá, por definição, perdido a luta – tratará apenas de adiar a vitória do inimigo. Segundo, porque o Brasil precisa urgentemente de discussões sérias sobre as questões realmente importantes, precisa de alternativas fortes e coerentes ao status quo revolucionário.

Liberais e conservadores jamais poderão se unir em torno das questões mais relevantes ao país, até porque a divergência começa nas prioridades de cada um. Por definição, os liberais continuarão a priorizar a economia e os conservadores nunca irão concordar com isso. Tentar a união da direita” é como propor a unificação de Flamengo e Fluminense com a justificativa de combater o Vasco. Não faz sentido.

Precisamos acabar, de uma vez por todas, com essa falsa divisão criada na Revolução Francesa, que força grupos totalmente diferentes a se unirem num balaio de gatos desconfortável e contraproducente. Não é a toa que, de lá pra cá, os revolucionários avançaram cada vez mais suas pautas e ações, enquanto os ditos contra-revolucionários tiveram no máximo pequenas vitórias de ocasião, incapazes de frear os avanços inimigos.

Por isso, qualquer apelo de unificação da “direita” precisa ser combatido, até porque precisamos parar de usar os termos definidos pelos adversários. Não existe esquerda e direita, mas conservadores, liberais, socialistas, etc. Nós somos diferentes e precisamos ser. Cada macaco no seu galho.

Essa é a lição número 1 de tantas outras que os anti-socialistas precisam aprender nessa longa caminhada que a nossa infame democracia necessita percorrer. Quem sabe um dia teremos de volta as verdadeiras disputas saudáveis do século 19 entre liberais e conservadores. Porém, antes de qualquer coisa, fica a mensagem: direitistas do mundo, desuni-vos!